quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Bolo Frívolo Uma homenagem a Fuschia, a minha musa.

Havia um frívolo bolo sarapintado
Que navegava num mar sem sentido
Ou por qualquer lúgubre lago
Muito livre e bem assumido.
Desarticulado, quão desarticuladamente
Esse bolo frívolo navegava
Sobre as ondas de um oceano sem mente
Atirando peixes para um céu cor de malva.

Havia aí muitos, intensos pargos
De uma glória incomparável
E todo o lucro desses trabalhos amargos
Era atirado para esse céu arável.

Pelas lustrosas vagas sobre as cristas
Junto aos pescadores voava, de uma maneira ociosa,
O bolo frívolo com uma faca espetada
Nela e na sua tripulação de passas, melosa,
Como o sorriso de um espadarte saltitava com muita arte
(Essa faca de mesa azul e poderosa)
E o bolo frívoloenchia-se até cima
Com a sua tripulação de passas, melosa.

Havia aí muitos, imensos pargos
De uma glória incomparável
E todo o lucro desses trabalhos amargos
Era atirado para esse seu arável.

Em torno das praias das Ilhas Elegantes
Onde o peixe-gato a saltar ronronava
Lambendo as patas e os sorrisos brilhantes
E das suas barbatanas de pêlo cuidava,
Voava, voava sobre o céu cor de malva
O bolo frívolo e a faca
Que piscava o seu olho azulado
À espera de um casamento anunciado.

As migalhas espalhavam-se por esse mar sem sentido
Pelo bater do coração desse bolo
E a faca de aço sentia o melaço
De uma paixão sem boca ou ouvido.
Pela velocidade da luz eram espalhadas
Essas migalhas aos pais dedicadas,
E o ar tropical vibra agora a zumbir
Por esse bolo de amor ainda por vir.

O poema preferido da Fuschia, escrito por alguém que não eu.

2 comentários:

Leonor Branco disse...

Este é um daqueles blogs que dá sempre vontade de vir para aqui saltar

Fenomenologia e a Menina disse...

Sou o teu primeiro homem.
^^